facebook twitter 
Língua e política PDF Imprimir E-mail
Escrito por Silvio Lourenço   
Qua, 03 de Abril de 2013 00:00

Lingua e politicaReduzir a língua a um só aspecto é uma tentação antiga, mas ainda hoje muito praticada. Por isso ainda é muito comum ouvir que esta ou aquela pessoa não conhece a língua ou o idioma, palavras essas que não têm o mesmo significado, mas são muito confundidas.

A língua é um instrumento político. Ferdinand de Saussure, o pai da linguística moderna, afirmara que "a cada instante, ela [a língua] é uma instituição atual e um produto do passado".1 Quando falamos, nossas ideias se convertem em uma cadeia de sons compreendida por meio de um código social. Esse ato de fala ou escrita, em si, é atual, pois representa um momento destacado do tempo e espaço, e uma atualização de muitas coisas já acontecidas e submetidas ao crivo da mente.

A palavra, seja aquela forjada sob os instrumentos das regras sociais e gramaticais, seja aquela concebida em estruturas menos formais, propõe uma visão do passado, a qual pode legitimá-lo ou contestá-lo. A visão de contestação do status quo se percebe revolucionária, a de legitimação, reacionária. E isso é extremamente político.

A língua é, ao mesmo tempo, instrumento e campo de guerra, movendo ideias e ideologias, ou ainda sedimentando-as. Ou seja, com relação à língua, o acordo é o desacordo e, ainda que pareça inanimada, a língua não descansa nem quando se cala.

1 Saussure, F. Curso de linguística geral. 24ª ed. São Paulo: Cultrix, 2000, p. 16.