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Letras, mel e dinheiro PDF Imprimir E-mail
Escrito por Silvio Lourenço   
Qua, 03 de Abril de 2013 23:47

p002 abelhasNas aulas de elementos de linguística, do curso de letras da USP, em 2004, a Prof. Norma Discini vez ou outra citava um adágio em língua inglesa que diz "no bee, no honey, no work, no money", uma evidente justificativa da ideologia em que se inserem os workaholics, palavra cuja etimologia claramente se refere a pessoas viciadas em trabalho. Mas por que cito esse provérbio, que aparentemente não se enquadra no mundo dos estudantes de letras, tidos como bichos-grilos, preguiçosos e notadamente de esquerda radical, ainda que sejam poucos os psolistas de carteirinha? Porque, indiferentemente a qualquer ideologia, é possível a estudantes de letras ganhar dinheiro razoável por meio de trabalho relacionado à área. Apesar de defender a valorização da docência, reconheço que o Brasil caminha muito lentamente nesse rumo.

 Que propor, então? No atual e crescente mercado editorial brasileiro, faltam bons profissionais para tradução e revisão de textos, bem como redatores e intérpretes. Na falta desses profissionais, tem muita gente despreparada atuando. Um professor não pode assinar a planta de um edifício no lugar do engenheiro nem prescrever um tratamento como se fosse um médico. No entanto, há uma legião de psicólogos, engenheiros e médicos dando aulas de idiomas, bem como revisando e traduzindo textos devido à falta de profissionais formados em letras. Se não aumentarmos a dedicação às profissões de nossa própria área de formação acadêmica, ficaremos apenas com o cheiro do mel. Ou menos que isso.